Direção de modelos; vamos pensar um pouco
Continuando no assunto que o Clício tocou ontem. Isso porque eu lembrei de algumas conversas que tive sobre o assunto, especialmente com a Dani durante o ensaio Filhos de Peixe, onde ela confessou suas dificuldades para dirigir as pessoas.
Ela comentou sobre não saber o que fazer ou dizer para despir as máscaras de quem fotografava, sobre sua insegurança frente a pessoas desconhecidas e/ou de mundos diferentes; e então também comentou sobre minha aparente segurança, sabendo o que dizer e fazer. Respondi que não era bem assim; eu também fico inseguro, principalmente no começo do ensaio, que tudo era apenas um pouco de prática. Repito o raciocínio daquele dia: “nós fotógrafos também somos humanos e temos nossas inseguranças, enquanto num ensaio devemos tirar a máscara do fotografado, não devemos deixar cair a nossa”. Sim, minha segurança era uma máscara; o medo existe, embora controlado. E sempre que se fotografa um tipo de gente que você não está acostumado é muito difícil controlar e manter a máscara intacta.
Foi estranho quando comecei a fotografar em estúdio, odiava fotografar iniciantes, pois ensaio com modelo é diferente daqueles com “gente comum”. Acreditava que lidando com profissionais eu não devia ter a obrigação de ensinar menina a posar. Para mim é mais fácil fotografar uma pessoa humilde a um modelo, um passante vai provavelmente se sentir envaidecido ao ser fotografado, mas com uma boa direção ou ele logo esquece a câmera, ou mostra o que não se veria normalmente. Uma modelo não esquece da câmera jamais, o desafio é fazer-la se sentir confortável. Se for modelo experiente basta sentir que você sabe o que está fazendo, e então vai posar como sabe, sem se preocupar com mais nada. Se for uma new face vai fazer a pergunta de ouro; “o que você quer que eu faça?”, e você vai sim ter que saber o que ela devia fazer ou o ensaio não anda. Não é incomum ver fotógrafos experientes explicando poses, é um “lugar comum” na fotografia. ter bagagem visual é imperativo nesse ponto.
Acho que além do exercício proposto pelo Clício é muito importante ver imagens do tipo que se quer produzir pra criar essa bagagem. Porém a finalidade não é copiar e sim criar uma referência visual que seu subconsciente possa usar na criação de novas imagens, baseado em poses e ideias clássicas ou já usadas antes.


